Observação de cetáceosDurante mais de um século, desde meados do Sec. XIX até meados do Sec.XX, a caça ao cachalote foi uma das poucas actividades alternativas à agricultura e pesca em todas as ilhas dos Açores. Iniciada com botes encomendados nos E.U.A., foi rapidamente ganhando características próprias, com a adaptação dos botes e desenvolvimento de novas técnicas de caça.
Baseadas em pequenas localidades do litoral, as "Armações" disponham de uma frota de canoas (à vela e remos), de uma ou mais "gasolinas", lanchas a motor para o reboque para terra dos cetáceos abatidos e de instalações em terra para a transformação dos cachalotes. O produto final era o óleo e em alguns locais também farinhas. Toda esta operação dependia da capacidade de avistamento dos "vigias", colocados em pontos estratégicos da costa que, uma vez detectadas as presas, alertavam as tripulações através de foguetes e já no mar conduziam-nas para a caça por meio de bandeiras. Interrompiam-se os trabalhos agrícolas e outros quaisquer para comparecer na rampa ou na casa dos botes, para iniciar o frenezim de arriar os botes e caçar. Abandonada em definitivo esta actividade no final dos anos 80 de Sec. XX, muitos caçadores e vigias deambulavam, contando as suas histórias e desejando continuar uma saga que se finara por ser insustentável de todos os pontos de vista. Através do Decreto Legislativo Regional, 13/98/A de 4 de Agosto, todos equipamentos envolvidos nesta actividade são declarados Património da Região, tendo-se desenvolvido, desde então um grande esforço de recuperação de botes, lanchas e instalações em terra, nomeadamente nas ilhas do Grupo Central, onde são muito populares as Regatas de Botes Baleeiros. É sobre esta estrutura que surge nos Açores, no início dos anos 90 a primeira unidade de Observação de cetáceos dos Açores: vigias em terra e botes no mar, com uma taxa de sucesso nas observações muito elevada em todas as ilhas onde se opera. Em todos os portos onde há operação de Observação de cetáceos, encontram-se painéis da responsabilidade do Governo da Região, com as regras de conduta que deve ser mantidas pelos operadores durante a observação. Cada empresa operadora mantém nos seus quadros um biólogo, de forma a garantir qualidade científica no acompanhamento dos turistas. |
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